quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O sorriso

Era uma vez, existiu um sorriso. Um sorriso perfeito, desses que sorria e se enchia todo, tanto, tanto, que se espalhava pelo rosto. Era tão lindo, tão singelo, tão meigo, tanto tudo de tudo de bom, que o rosto onde morava o sorriso chegava a desfocar porque quando o sorriso chegava só dava ele, era só ele, as atenções eram todas para ele. Um sorriso assim, coisa rara. Não dizia nada, só sorria. Um dia o sorriso quis se consertar. Pensava que ainda não era perfeito. Colocou um aparelho engraçado, desses com nome difícil. Ah! Já sei! O R T O D Ô N T I C O. E lá foi ele, todo aparelhado. Mas sabe de uma coisa? Continuou lindo, sim, lindo. Porque teve a graciosidade de colocar umas borrachinhas azuis. Era um sorriso adolescente agora. E a adolescência lembra tanta coisa boa! Sorrisos e beijinhos, sorrisos nervosos, sorrisos tímidos. E eu, assim, encantada por aquele sorriso, dei o meu sorriso decidido para ele, ofertei o meu sorriso apaixonado, o meu sorriso crente, o meu sorriso guardado e casto. O sorriso que fez então? Fez que não era com ele, seguiu sorrindo como se nada tivesse acontecido. Cínico!

2 comentários:

Ivan Grycuk disse...

Adorei o texto Dona Lilian!! Muito bom mesmo!!

Um beijão!!

A Poetinha ... (Lilian Haber) disse...

Um grande sorriso para você e não cínico :)