Meus filhos
Não percam a fé haja o que houver
O amor de Deus é maior que tudo
Haverá momentos tristes
Momentos quase impossíveis de seguir em frente
Mas a luz que há na gente
Não pode se apagar
Meus filhos
Não percam a fé haja o que houver
O amor de Deus é maior que tudo
Haverá momentos tristes
Momentos quase impossíveis de seguir em frente
Mas a luz que há na gente
Não pode se apagar
Fiquei preocupada
De repente preocupada com tudo
Quem vai lembrar de limpar a orelha do menor?
Quem vai no quarto do mais velho
Falar uma palavra amiga quando ele estiver triste?
Será que vão lembrar que dia de sábado é dia de arrumar o corpo e a casa? Organizar a semana?
Quem vai lembrar de pagar a conta do gás?
Ou o telefone do açougue? Da fruteira? Do entregador de pão?
Quem vai oferecer água ou fazer o lanche?
Quando tiver doente? Quem vai saber logo qual medida tomar? Correr para emergência ou aguardar?
Quem vai passar o ralho quando preciso para se
[Tornarem homens de bem?
Quem principalmente vai dar colo com tanto amor, fazer curativo e dizer que vai ficar tudo bem?
Quem? Vai ter tamanho amor que transborda?
Quem vai preferir que a chaga mortal esteja no seu próprio corpo ao invés de no corpo do filho?
Quem?
Tanto a ser feito ainda....tanto...tanto....
Mas não sei se há tempo
Obrigada por tudo
Tudo mesmo
Cada dia
Cada momento
Que privilégio
Ver que da madre
Ganharam tento
Mas quem quer perder o rebento?
Qual mãe que ama quer dizer adeus?
Nenhuma
A avó e a menina estavam na sala de espera.
A avó um pouco apreensiva, cabelo um tanto ralo.
De repente, a menina estava só.
Toda de Rosa. Com uma fita enorme no cabelo da mesm cor.
Extremamente comportada.
Total e cuidadosamente arrumada.
Tudo parecia banal a não ser o fato de que aquela
não era a sala de espera de um salão de beleza, de uma escola, da entrada para um parquinho.
Era dia de quimioterapia na clínica.
Será que a avó foi fazer quimio e não tinha com quem deixar a menina?
Ou descobriu aflita que tinha algo mais no seu corpo?
Teria ido para qual lugar aquela preciosa avó?
Enquanto isso, a menina esperava...
Sem saber detalhes e complicações
Esperava.... A volta do abraço, do aconchego, da sua proteção, do seu anjo na terra.
Anjos às vezes quebram as asas.
Com o diagnóstico sombrio da morte bafejando
Em meu pescoço
Tentando me levar
Eis que leio um poema que tempos atrás escrevi
Balada da despedida
Mas após trilhar tudo que trilhei
Eu mereço uma balada diferente
BALADA DA CHEGADA
Que menina linda
Tão puramente a vida amou
Passou um terço de tempo
À procura do grande amor
Depois mais um terço para se realizar
Na profissão
Na terra
E no ar
Só o mar assustava a moça
Que achava tão lindo aquele senhor
Que todo dia deitava a maresia na areia
Sempre pontual
E quando o tempo finalmente a conta lhe cobrou
Percebeu que o que buscava finalmente encontrou
A chegada no seu destino
Não tinha a ver com o final
Tinha a ver com o caminho
Que sempre encheu de flores
Por onde passou
Oi? Ela disse. Demoram tanto a chamar para o exame. Eu estou sem comer. Eu perguntei por que a Senhora não comeu? Eles avisaram antes que era para comer bastante. Ela respondeu: Eu não doi conta de comer não. Como só um pouquinho, mas a minha sobrinha ficou de trazer um lanche e nada. Eu também estou com muito frio. Eu olhei para ela e sorri pelos olhos, pela máscara e disse eu também sinto frio e eu acho que vou andar com uma meiazinha na bolsa e a Sra deve estar com tanto frio porque está bem magrinha. Ela sorriu com os olhos de volta. Eu perguntei: A Sra. veio fazer cintilografia óssea? Ela disse que sim e que estava com câncer nos ossos. Câncer no osso que já tomou conta de tudo. Ela me disse que sente muita dor mas que tudo bem, ela toma um comprimido todo dia e não sente mais nada. Eu perguntei começou como? Ela disse. Na mama. A minha filha perguntou como fazia o exame de mama, aqui, em uma pausa reflexiva disse: - Sabe. Ela é gordinha e sua nos lugares em que vamos, eu magrinha sinto frio. Eu disse: - Tá vendo? A gordura protege o corpo. E rimos. Ela continuou: - Eu ensinei ela a fazer o exame. Fui para o banheiro de noite e fiz em mim. Todo dia de noite eu lavo o banheiro e tomo o banho até hoje. Eu gosto da minha casa limpinha. Eu faço tudo sem ajuda. Eu descobri um caroço, tava tão pequenino. Na segunda mesmo eu fui no postinho marcar consulta e levaram um ano para fazer a biópsia. Então já estava grande. Eu não sentia dor. Eu fui quatro vezes tentar fazer o procedimento, mas perdiam a papelada. Eu tive que emparedar eles lá para conseguir. Fez uma pausa. É o SUS. Se eu soubesse que já tomava nos ossos não tinha tirado o seio. Eu perguntei: A Senhora se chateia muito de ter tirado o seio né? É chato ficar com a cicatriz. Ela ficou em dúvida e disse que não queria era ter passado por uma cirurgia desnecessária porque ia estar nos ossos mesmo. Daí ía tomando só remédio se bem que quase morreu na quimio. Eu perguntei: - Deu efeito colateral forte? Ela disse é. Mas ela tava bem vivinha na minha frente, mas viva do que qualquer um de nós. Uma linda mulher, uma senhorinha fofa que dá vontade de abraçar e levar pra casa e ficar ouvindo estórias. Eu disse: Deus está no controle de todas as coisas. Ela disse: Sim. É mesmo, Ele está. Eu ganhei esse câncer caindo nl chão. Uma queda mais de vinte anos atrás. Até então eu não sabia o nome dela. A atendente chamou: - Dona Iracema é a sua vez. A Senhora fez xixi? Esvaziou a sua bexiga? - Ela disse: Sim. Ainda agorinha. A atendente disse: Olha lá hein? Se chegar lá e tiver xixi vai voltar outro dia. Mas disse tudo amorosamente.
Dona Iracema brasileira, mulher e maltratada pelo Sus.
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Um exame inocente de hemograma esconde muita coisa. A partir de quando os marcadores tumorais no sangue detectam um câncer? Temos tecnologia para isso?
https://www.tuasaude.com/veja-quais-sao-os-exames-de-sangue-que-detectam-o-cancer/
http://www.oncoguia.org.br/mobile/conteudo/pesquisas-em-andamento-para-o-desenvolvimento-de-novos-marcadores-tumorais/4017/683/