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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lascívia

(Em 17.08.07)

A tua imaginação não é páreo para minha fantasia
Tuas idéias não conseguem decifrar as indecências
[Que penso em te dizer
Minha camisola preta no meu corpo sozinha
[A espera de tua língua quente e precisa

Tórrida sensação que me invade
Sentimento vil de posse e desejo
Arde o corpo
Padece a mente
Coitada da vida da gente

Fricção tão esperada
Dança rítmica e cadenciada
Te quero, te desejo, te espero.
Serei tua enfim, possuída pelo fogo
Da lascívia

domingo, 2 de agosto de 2009

Pés em rosa




Poema de Maria Antônia Dias, irmã de Pedro Dias.

Os meus pés vão de rosa
e eu vou de preto
e cabelo chocolate
pele branca no contraste
cabelos anelados
debaixo dos seios
tentam esconder
o que já resta evidente

Os meus pés virginais
desfilam incólumes pelas ruas
pés assim podem ser devassos
mas eu me desfaço
em um movimento apressado

É chegado o cansaço
e eu faço o passo
de retorno ao meu amado
pés no seu rosto alado

Descalço eu, então, a imaginação

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Tu existes

Poema de Maria Antonia que sonha com um ser amado que nunca chega.

A boca na tua boca
tirando a roupa
a mão na cintura
[em riste
tu me despiste
E eu me fiz mulher
nos braços teus
Lembranças de um dia
que jamais se esqueceu

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Encantada dança

Poema de Pedro Dias a quem dedico este espaço para divulgação de sua arte.


A boca semi-aberta
O escape de um sussurro
Dedos roçam os lábios ansiosos
E em frêmitos o corpo treme
O antes riso agora geme
E logo o gozo em jorros freme
Mas a tortura pelo prazer
Estende-se em ritual infindo
Para os amantes o tempo
Mede-se pelo compasso
De seus corpos quentes
Ritmados pela dança do amor
Ela que cavalga o amado
Entrega-se em doação total
E em requebros faz a cópula
Como a dança de dois cisnes
Fundem-se em sensações
Os corpos dissolvem-se
Em lento torpor
Em busca do êxtase
A energia os enlaça
A fricção de seus rostos
O roçar dos seios
Tudo denuncia
o cheiro inundante no ar
Cabelos espalhados ao léu
E o gozo que se anuncia
Traz o desejado alívio
Beijos na boca de vitória
Encerram a encantada dança da orgia

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Homem perfeito


(Um dos primeiros poemas de Maria Antônia Dias)

18.08.99


O Homem perfeito é aquele que vai recitar um de meus poemas para me convencer a ficar com ele
Fará isso em uma noite de luar
Acompanhado de uma bela taça de vinho como testemunha
Estará usando um perfume amadeirado
Seu olhar conseguirá me arrepiar
E ele saberá disso e usará a seu favor
Pegará levemente na minha mão
Encostará na sua
Ficará alguns segundos apreciando meus dedos escorregarem por sobre os dele
Então pegará no meu rosto com carinho, passará o dorso de sua mão sobre a minha boca
Segurará com uma leve pressão meu braço e simulará um beijo
O ar quente de sua boca me deixará molhada
Pegará na minha cintura e ficará atrás de mim
Afastará um pouquinho meu cabelo e respirará no meu pescoço comprimindo minha cintura com sua mão
Meu corpo tremerá um pouquinho
Eu me inclinarei para o lado
Ele deixará cair um pouco de vinho da taça com o meu movimento
E dará um riso de levinho virando-se de volta para mim
Me olhará sério
Eu desviarei o olhar
Ele segurará o meu queixo
E me dará um beijo
Um beijo sem pressa
Desses que você vai descobrindo aos poucos
Tudo começará a esquentar
O beijo vai ficando cada vez mais quente
Entremeado por leves suspiros
Ficaremos assim uma breve eternidade
Perdidos no deleite desta sensação
Então ele olhará para mim e dirá
Será sempre assim
Confia em mim
Eu o beijarei mais uma vez e terei a certeza de que será para sempre
Que toda noite e a cada manhã serei acordada com um beijo
Que ganharei vez ou outra café da manhã na cama
E muitas lambidas em todos os lugares em que eu quiser
Não mandará eu sair da frente da televisão
E nem ignorará quando eu estiver cansada
Muito pelo contrário
Adorará fazer massagens nas minhas costas
Dar suaves beijinhos nos meus ombros e abraçar-me muitas vezes por trás
Envolvendo-me completamente
Na cama não mandará eu gozar
Ficará mudo só fazendo leves gemidos
E me tocará com tanta delicadeza que gozarei antes que entre em mim e depois também
Depois de tudo isso
Muitas noites acontecerão
De camisolas e rituais infindáveis
Sexo será cada vez melhor
E o amor aumentará cada vez mais
O tempo passará
E ficaremos bem velhinhos lado a lado
Cada vez mais felizes
E como se estivéssemos escondendo um segredo de todo o resto da humanidade
A chave da felicidade que só nós dois sabemos possuir

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Frenética

Busca frenética
Pela troca de energia
Pelo sexo ritmado
Pungente, animal
Gemidos, gritos
Sussurros e arranhões
Quero passar para dentro de ti
Perder-me na ausência de tempo
No espaço do teu ser
Lamber-te todo
Como gata no cio
Desarrumar tudo em ti
E fazer sorrir
Com tanto desvario
Morrer de tesão
E dar vazão
Como bicho da mata
Completa e irracional
Material Woman
Escrava dos teus prazeres

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O depois

Ela estatelada no chão. Ele animal saciado. Ela, caída, ali, inerte. Ela disse: Vai. Ele foi. É sempre assim. Mas hoje, assustou. Estava tudo represado. Vontade. Culpa. Vontade. Culpa. Força. Não houve espaço para delicadeza. Não houve espaço para lençóis ou sussurros. Hoje foi o dia dos gritos. Gemidos. Gritava o corpo. Gritava a alma. A língua quente. A pressa. A parede. O chão. Tudo rápido. Depois de tudo findo as cenas insistiam em reprisar na tela mental. Será que algo havia sido esquecido? Algo não dito? O que faltava? O que falta? Amor próprio talvez. Não há depois. Martírio. A seqüência repete-se infinitamente à espera de um final feliz. Não há finais felizes para esse tipo de estória. Ele sabe. Ela sabia. Já não sabe mais. Já não está viva. Está em um pesadelo dela mesma. Uma versão mal acabada. Tanto para se dizer. Tanto para fazer. Hipótese não realizada. Ela disse vai e ele foi.

domingo, 28 de outubro de 2007

Violenta (´ ) ação


O corpo pulsante
Geme a vontade contida

O suor que insiste em correr
No meu corpo não consegue
Gelar meu desejo

O cheiro de sexo que se anuncia
É solitário
Quase pungente
Espera o outro sexo
O suor d´outro corpo
A cadência d´outra vontade

O corpo que insiste
Em percorrer trilhas já visitadas
Esquece que sozinho
Simplesmente não entende da arte
Que sozinho não arde

Mas solitário
Quase violento
Busca superar
O insuperável
Geme
Agora de dor

Fiz forte
De forma quase implacável
À espera de apagar as tuas marcas
Do meu corpo

Mas ele não se esquece
Cobra-me a conta
Que me é cara por hora

Estou condenada
A seguir errante
E em cada êxtase de libertação
Lembrar-me cada vez mais